MCMV em Goiânia: estoque cai 33% e famílias das Faixas 2 e 3 ficam sem opção
Vendas do Minha Casa, Minha Vida subiram 83,4% em Goiânia, mas o estoque encolheu um terço. Famílias com renda entre R$ 3,2 mil e R$ 9,6 mil enfrentam escassez de imóveis.
O novo déficit
Enquanto o mercado imobiliário de Goiânia celebra recordes de vendas e valorização, um problema cresce silenciosamente: a escassez de imóveis para as Faixas 2 e 3 do Minha Casa, Minha Vida. Famílias com renda entre R$ 3,2 mil e R$ 9,6 mil encontram cada vez menos opções para comprar o primeiro imóvel.
Segundo a Fundação João Pinheiro, o Brasil tem um déficit habitacional de 5,98 milhões de moradias. Em Goiás, o Instituto Mauro Borges aponta que mais de 212 mil famílias viviam em déficit habitacional em 2023. A região metropolitana de Goiânia concentra a maior parte desse contingente, com mais de 73 mil famílias.
Oferta encolhe, demanda cresce
Os números do primeiro semestre de 2026 mostram o paradoxo. As vendas de unidades do MCMV em Goiânia chegaram a 2.944 unidades, crescimento de 83,4% sobre o mesmo período de 2025. Os lançamentos também subiram: 2.395 unidades, alta de 77,1%.
Mesmo assim, o estoque do programa na capital diminuiu 33,2% em relação ao fim de 2025. Hoje, as unidades do MCMV representam apenas 17% do mercado total de Goiânia.
"Existe fila para esse produto em Goiânia. E ainda há muito espaço para crescer: em mercados maduros, como São Paulo, o MCMV chega a representar cerca de metade das vendas residenciais", explica Credson Batista, diretor de Pesquisas e Estatísticas da Ademi-GO.
Renda intermediária sem opção
O problema é específico: famílias que ganham entre R$ 3,2 mil e R$ 9,6 mil mensais têm renda suficiente para financiar, mas não encontram empreendimentos dentro dos tetos do programa. O mercado, historicamente, concentrou lançamentos no alto padrão.
A chegada da Plano&Plano a Goiás, com foco justamente nas Faixas 2 e 3, é uma resposta a essa lacuna. "Uma parcela muito grande da população reúne condições de financiar um imóvel, mas acredita que isso ainda não é possível", diz Fábio Lorensetti, diretor de operações da empresa em Goiás.
Recursos federais em risco
Em 2026, o Governo Federal destinou R$ 180 bilhões ao MCMV, o maior volume da história do programa. Mas há um detalhe: os recursos precisam ser consumidos dentro do ano. Se uma região não apresentar projetos aptos a contratar os financiamentos, o dinheiro é remanejado para outros estados.
"É importante termos lançamentos para que a oportunidade e o momento favorável não se percam", alerta Felipe Melazzo, presidente da Ademi-GO.
O que muda para quem vende ou aluga
Para corretores e proprietários, o déficit significa demanda reprimida. Imóveis usados dentro da faixa de preço do MCMV tendem a ter liquidez maior, especialmente em bairros bem localizados. Para inquilinos, a falta de oferta pode significar continuidade da pressão sobre os aluguéis.
Perguntas frequentes
Quais são as faixas de renda do MCMV em 2026?
Faixa 2: renda mensal de R$ 3.200,01 a R$ 5.000. Faixa 3: renda de R$ 5.000,01 a R$ 9.600.
Qual é o déficit habitacional de Goiânia?
A região metropolitana tem mais de 73 mil famílias em déficit habitacional, segundo o Instituto Mauro Borges. Em Goiás, são mais de 212 mil.
Por que o estoque de MCMV caiu se as vendas subiram?
Porque a demanda é maior que a oferta. Mesmo com lançamentos em alta, as vendas foram tão fortes que o estoque disponível diminuiu um terço em seis meses.
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