MCMV em Goiânia: vendas sobem 83,4%, mas estoque encolhe um terço e financiamento recua
O Minha Casa, Minha Vida vendeu 2.944 unidades em Goiânia no 1º semestre, alta de 83,4%. Mas o estoque do programa caiu 33,2% e as contratações da Caixa recuaram 16,1% — a 3ª pior queda entre as capitais.
O paradoxo do MCMV na capital goiana
Goiânia vive um dos momentos mais quentes de seu mercado imobiliário — e o Minha Casa, Minha Vida é o centro desse movimento. Segundo pesquisa da Ademi-GO com dados da Brain Inteligência Estratégica, o programa vendeu 2.944 unidades no primeiro semestre de 2026, alta de 83,4% sobre o mesmo período de 2025. Os lançamentos também aceleraram: 2.395 novas unidades, crescimento de 77,1%.
Mesmo assim, o estoque do MCMV encolheu 33,2% em seis meses e hoje representa apenas 17% da oferta total da cidade. Em outras palavras: a prateleira do produto mais barato esvazia 5,5 vezes mais rápido que a do restante do mercado.
O gargalo não é demanda — é aprovação
"Existe fila para esse produto em Goiânia", resume Credson Batista, diretor de Pesquisas e Estatísticas da Ademi-GO. Em mercados maduros como São Paulo, o MCMV responde por cerca de metade das vendas residenciais — sinal de que o limite goiano não é de procura, mas de oferta.
A trava está na prefeitura. Cerca de 60 projetos aguardam aprovação em Goiânia, segundo o O Popular, e há casos de empreendimentos parados há mais de 200 dias à espera de taxas. O presidente da Ademi-GO, Felipe Melazzo, é direto: cada mês de atraso no licenciamento é um mês a mais de espera para famílias com recurso federal disponível.
O reflexo aparece no crédito. As contratações do MCMV pela Caixa em Goiânia somaram 4.017 unidades entre janeiro e agosto de 2026 — queda de 16,1%, a maior retração da série histórica da cidade e a terceira pior entre as 27 capitais, segundo o Imobnews. Pela primeira vez, Águas Lindas de Goiás superou a capital em volume absoluto de contratações.
O que muda para comprador, corretor e proprietário
Para o comprador de faixa econômica, a disputa por unidade nova está mais acirrada: quem tem carta de crédito ou simulação aprovada sai na frente. Para o corretor, o dado prático é que imóveis usados na faixa de até R$ 350 mil absorvem parte dessa demanda reprimida — e giram rápido quando bem precificados. Para o proprietário nessa faixa, o momento é favorável: estoque do concorrente novo encolhendo significa menos opção na prateleira para o mesmo comprador.
Distribuição é o que converte esse cenário em venda. Na Chave7, o corretor acessa uma base com 8.431 imóveis — 2.595 ativos agora — entre Uberlândia e Goiânia, com contato direto do proprietário e apresentação ativa das ofertas. Num mercado em que a oferta nova não chega, quem tem produto certo e alcance largo fecha primeiro.
Perguntas frequentes
Quanto o MCMV vendeu em Goiânia em 2026? Foram 2.944 unidades no primeiro semestre, alta de 83,4% sobre o mesmo período de 2025, segundo pesquisa da Ademi-GO com dados da Brain Inteligência Estratégica.
Por que o estoque do MCMV caiu 33,2% em Goiânia? Porque as vendas superaram a reposição: mesmo com lançamentos 77,1% maiores, a demanda absorveu o produto mais rápido. Cerca de 60 projetos aguardam aprovação na prefeitura, o que trava a entrada de novas unidades.
As contratações de financiamento do MCMV caíram em Goiânia? Sim. Entre janeiro e agosto de 2026, a Caixa contratou 4.017 unidades na capital, queda de 16,1% — a maior retração da série local e a terceira pior entre as 27 capitais brasileiras.

